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Influenciar os consumidores a mudar comportamentos

Webinar Marketeer/Deco Proteste sobre a perspectiva dos retalhistas.

Influenciar os consumidores é um trabalho difícil, mas mudar comportamentos é ainda mais e implica um longo e exigente caminho. Sob o mote do consumo sustentável, a revista Marketeer e a Deco Proteste promovem três webinars para perceber como influenciar os consumidores a mudar comportamentos em direção à poluição zero. A primeira sessão aconteceu a 18 de maio e debruçou-se sobre o papel dos retalhistas, tendo como convidados Pedro Lago em representação da Sonae MC, Elke Muranyi do grupo Aldi e Rita Rodrigues da Deco Proteste, com moderação da jornalista da Marketeer Maria João Lima.

Em jeito de provocação, a moderadora lançou que “é importante mudar a forma como os velhos do Restelo olham para esta questão” da sustentabilidade, referindo-se, através da metáfora, aos mais resistentes às mudanças. Sobre o esforço que implica influenciar o comportamento dos consumidores, Pedro Lago assumiu que, no caso do Continente, já se deram vários passos nesse sentido, mas “há ainda um longuíssimo caminho”. E, citando um provérbio índio, resumiu a difícil missão da sustentabilidade: “Não herdamos a Terra dos nossos pais, pedimo-la emprestada aos nossos filhos.”

“É absolutamente central ter a sustentabilidade nas nossas preocupações”, enfatizou Pedro Lago. Lembrou também que “os drivers são diversos”, desde investidores à própria lei. “Ninguém investe em empresas que não forem exemplares na sustentabilidade” e a lei “ajuda a mudar no sentido correto”. Mas há que ter em conta também colaboradores e consumidores e, acima de tudo, que “estas mudanças têm de partir de nós”. Líder no retalho em Portugal, o Continente foi pioneiro na promoção da reutilização dos sacos na fruta, legumes e padaria, por exemplo. No entanto, “ainda é uma percentagem pequena de consumidores que tem este hábito”. Ainda sobre a importância de trabalhar a sustentabilidade nos negócios, Pedro Lago citou a presidente executiva do grupo Sonae, Cláudia Azevedo: “Não há bons negócios num mau planeta.”

É difícil mudar os hábitos, mas o Continente tem sido “persistente no apelo”, explicou o diretor de projetos de sustentabilidade e economia circular da Sonae MC. Há que atentar à informação que passa para o consumidor que, muitas vezes, não percebe de forma clara quais são as melhores opções. Além disso, “os consumidores precisam de ser estimulados e informados”, até porque muitas vezes há desinformação. Na perspectiva do Aldi, Elke Muranyi destacou a aposta nos produtos biológicos e falou sobre o trajeto que o grupo definiu no sentido do consumo responsável e com a oferta de produtos sustentáveis. “Apesar do consumidor informado, é importante sensibilizá-lo.”

“Não devemos cair na tentação de ir pelo caminho fácil de substituir os materiais”

O trabalho de fornecer produtos mais sustentáveis faz parte da responsabilidade acrescida dos retalhistas, mas não deixa de implicar todos os atores da cadeia de valor. “Devemos influenciar toda a cadeia de valor a montante e a jusante”, relembrou Pedro Lago. Na Sonae MC, “exigimos determinados tipos de certificações aos nossos fornecedores” e “olhamos para as práticas dos fornecedores e para o impacto dos produtos no meio ambiente”.

Apesar de a sustentabilidade ser muito mais do que plástico, Pedro Lago aproveitou o exemplo para explicar a importância de trabalhar de forma colaborativa. 73% das embalagens de produtos de marca própria Continente são recicláveis, mas só cerca de metade são recicladas em Portugal. Porquê? Ainda não é possível reciclar alguns materiais no nosso país, pelo que é importante um esforço conjunto para que se criem condições para superar esses entraves. “Ninguém consegue fazer tudo sozinho”, recordou. Iniciativas como o Pacto Português para os Plásticos são, por isso, vitais na implementação de mudanças efetivas.  

“Não devemos cair na tentação de ir pelo caminho fácil de substituir os materiais”, assumiu Pedro Lago. Refere como exemplo as embalagens que são necessárias para evitar o desperdício alimentar, como as cuvetes que protegem os frutos vermelhos. “Não faz sentido desperdiçarmos um terço dos alimentos (estimativas mundiais) quando temos tanta gente a passar fome.” É por isso que “o plástico é necessário nas nossas vidas”, como foi evidente com a pandemia e os equipamentos de proteção individual. Essencial é “pensar no que é melhor do ponto de vista ambiental”.

Merece ainda uma breve referência a intervenção de Rita Rodrigues da Deco Proteste, que falou, entre outras questões, do selo seleção verde, atribuído aos produtos depois de avaliado o impacto da forma como foram desenvolvidos. Este novo selo é uma distinção de “opção mais sustentável” para ter em conta no momento da compra. Ainda não existe escolha verde em todas as categorias, mas a Deco Proteste passou a ter essa preocupação na avaliação comparativa dos produtos. Se o consumidor é um agente de mudança, esta é uma forma de influenciar as escolhas. Aos retalhistas cabe o papel essencial de fornecer as melhores ofertas e informação fidedigna aos consumidores. 

Por fim, foi referida a iniciativa da Deco Proteste, com o apoio do Continente, para a criação de um Dia da Sustentabilidade como exemplo de uma “boa forma de despertar consciências”, defendeu Rita Rodrigues. A proposta foi apresentada à Assembleia da República para que o dia 25 de setembro seja uma data exclusivamente dedicada à sustentabilidade, apelando ao consumo responsável.