Pacto Português para os Plásticos: iniciativa colaborativa única

Visão comum procura economia circular para os plásticos.

O Pacto Português para os Plásticos, formalizado a 4 de fevereiro numa cerimónia pública que aconteceu na sede da EDP, em Lisboa, une mais de 50 entidades nacionais em torno de um compromisso, feito de várias metas, com o objetivo de conseguir uma economia circular para os plásticos. Antecipando em cinco anos o propósito europeu de que as embalagens de plástico sejam todas recicláveis ou reutilizáveis até 2030, Portugal procura afirmar-se mundialmente.

Pacto Português para os Plásticos

Ontem, 25 entidades de diferentes fases da cadeia de valor do plástico e 30 entidades institucionais assumiram um compromisso firme perante o país, comprometendo-se a atingir as ambiciosas metas para 2025 do Pacto Português para os Plásticos.O Evento de Lançamento do Pacto Português para os Plásticos contou com a presença de mais de 220 pessoas e este é o vídeo que serve de mote a esta iniciativa -> Juntos, por uma economia circular para os plásticos em Portugal.Precisamos de si para partilhar esta iniciativa! Contamos consigo?Saiba mais aqui: https://bit.ly/2ua0vRn#PlasticPactPT #plasticspact #circulareconomy #EconomiaCircular #Sustentabilidade

Gepostet von Pacto Português para os Plásticos am Mittwoch, 5. Februar 2020

Este pacto nacional integra a rede global da Fundação Ellen MacArthur, plataforma a partir da qual é possível a troca de conhecimento e boas práticas com outras redes nacionais, como é o caso do Reino Unido, de França ou do Chile. Com o apoio da fundação, os membros do pacto procurarão que o plástico não chegue a converter-se em resíduo, reutilizando e reciclando o mais possível.

Os signatários representam toda a cadeia dos plásticos, conseguindo, por isso, um impacto real e significativo, resultante do diálogo entre todos. Das entidades governamentais à indústria, retalhistas, associações ambientalistas, municípios e universidades, esta é uma iniciativa colaborativa única. Nas palavras de João Matos Fernandes, ministro do Ambiente e da Ação Climática, “estamos todos juntos” nesta “oportunidade para criar uma mudança positiva”. Presente no evento em representação do governo, Matos Fernandes destacou também a importância do compromisso “dos que desenham a fórmula e a aplicam”, efetivamente, depois de definidas as metas governamentais. Para o ministro, este pacto “tem a virtude de atribuir a mesma responsabilidade a todos”.

É a Associação Smart Waste Portugal, com o apoio da Fundação Ellen MacArthur e do Ministério do Ambiente e da Ação Climática, a entidade responsável pelo Pacto Português para os Plásticos. Aires Pereira, presidente da Smart Waste, fez o enquadramento da iniciativa, começando por apresentar o problema que impeliu esta solução cooperativa: apenas uma pequena parte do plástico vai para reciclagem. Foi, aliás, o tema de muitas manchetes na véspera da apresentação deste pacto: “Portugal só reciclou 12% de plástico em 2018”, segundo o Público, e a Renascença, no seu website, citou um representante da associação Zero que falou mesmo num “enorme falhanço” da reciclagem no nosso país. Sem ignorar os benefícios do plástico na conservação de alimentos contra o desperdício alimentar e na saúde, por exemplo, Aires Pereira reafirmou a importância de “encontrar soluções alinhadas com a ciência”, evitando “soluções rápidas e pouco sustentáveis”.

Foto dos representantes das entidades que assinaram o Pacto Português dos Plásticos com o Ministério do Ambiente e Ação Climática, João Matos Fernandes, no evento de apresentação da iniciativa. DR FB Pacto Português para os Plásticos

Como se irá refletir este pacto no dia-a-dia das pessoas?

Coube a Nolween Foray, da Fundação Ellen MacArthur e depois a Pedro São Simão, coordenador do pacto e membro da Smart Waste Portugal, durante o evento de apresentação do pacto, explicarem a economia circular para os plásticos e o projeto específico para Portugal.

Na visão da fundação, é essencial eliminar o plástico desnecessário, inovar nas soluções que asseguram a reutilização, reciclagem e compostagem, e fazer que o plástico circule na economia e fora do meio ambiente. Como citado por Nolween Foray, “um mundo sem poluição plástica depende do que faremos juntos”.

No âmbito da ação global promovida pela Fundação Ellen MacArthur, o Continente foi o primeiro retalhista nacional a assinar o compromisso internacional para uma Nova Economia dos Plásticos, através da Sonae MC. Com objetivos previamente definidos e em fase de desenvolvimento e aplicação, o Continente assinou este pacto nacional enquanto membro-fundador e efetivo com experiência e conhecimento para partilhar.

As metas definidas para o pacto nacional, tal como apresentadas por Pedro São Simão, são:

Definir, até 2020, uma listagem de plásticos de uso único considerados problemáticos ou desnecessários e definir medidas para a sua eliminação
• Garantir que 70%, ou mais, das embalagens de plástico são efetivamente recicladas através do aumento da recolha e da reciclagem
• Garantir que 100% das embalagens de plástico são reutilizáveis, recicláveis e compostáveis
• Incorporar, em média, 30% de plástico reciclado nas novas embalagens de plástico
• Promover atividades de sensibilização e educação aos consumidores (atuais e futuros) para a utilização circular dos plásticos

Os objetivos serão progressivamente cumpridos através da definição de um roadmap, de grupos de trabalho e da promoção de campanhas de sensibilização e será publicado um relatório no final de cada ano para que seja pública a evolução do trabalho colaborativo.

Este evento de apresentação do compromisso e assinatura oficial do Pacto Português para os Plásticos foi também um momento de reflexão sobre a urgência de medidas concretas e do esforço comum para combater o problema da proliferação de plástico desnecessário e de evitar o seu fim como resíduo.

É possível acompanhar todas as iniciativas do pacto através do site oficial e das páginas nas redes sociais Facebook, Instagram e Twitter. As principais dúvidas podem ser esclarecidas aqui.