Uma caminhada por Portugal de lés a lés, para recolher lixo de plástico

Acompanhe o percurso de Andreas Noe, o “artista ambientalista”.

Andreas Noe é o “viajante do lixo” (The Trash Traveler), como se autointitulou quando decidiu, em setembro de 2019, despedir-se do emprego “normal” que tinha na área da biologia molecular para se dedicar a viajar na sua caravana e a recolher lixo. Foi o início de uma verdadeira odisseia pelo plástico.

Andreas criou uma página no Instagram para partilhar – e cantar – o que vai apanhando nas suas jornadas. Com publicações sempre criativas, o alemão já se tornou numa espécie de influencer do ambiente. Nos vídeos que faz, o trash traveler descreve os objetos que apanha através da forma como estes vão prejudicar a natureza. É sério e divertido ao mesmo tempo, consegue sensibilizar os seguidores para um problema grave – o impacto do plástico no ambiente, resultado da ação humana – de uma forma original e “leve”. Um bom exemplo é este vídeo sobre as beatas de cigarro:

“Plastic Hike”, a caminhada do plástico

Viver uma vida mais sustentável e tentar que outros se inspirem com o seu exemplo é o objetivo principal de Andreas. Conta com mais de 10.000 seguidores nas redes sociais mas a 15 de agosto começou uma nova aventura que implica uma proximidade diferente com as pessoas: a pé, de uma ponta à outra da costa de Portugal, serão 832 quilómetros a caminhar enquanto apanha lixo nas praias. Durante o percurso, interage com outras pessoas e convida-as a participarem também nesta missão.

Ao longo de quase dois meses, da praia da foz do rio Minho, em Caminha, até Vila Real de Santo António, irá recolher a maior quantidade de lixo possível. Enquanto isso, através das suas criativas publicações no Instagram, Andreas irá falar sobre “a importância de recusar, reduzir e repensar o nosso consumo de plástico”, como descreve no evento online da Plastic Hike, e sobre a necessidade de uma verdadeira economia circular na qual a gestão de resíduos efetivamente funcione.

Iremos acompanhá-lo a meio da sua aventura para ajudar nesta missão, que é de todos, e fazer um balanço da caminhada. Para já, partilhamos o desafio: pode seguir Andreas neste link, encontrar um mapa com datas e locais aproximados e juntar-se a ele. Pode também apoiar esta missão doando “um café e um saco de lixo” através deste link. É uma doação simbólica mas que contribui para o documentário que estão a filmar para registar a odisseia do “trash traveler” nesta missão de consciencializar para o problema do plástico.

Numa entrevista ao Público, explicou que a ideia desta “caminhada para combater o plástico” é também envolver outros projetos. “Sempre que chegar à meta de cada dia, a ideia é ter um encontro com uma organização ambiental, uma escola de surf ou um artista plástico”, explicou. Vai também mostrando algumas ideias como o cinzeiro sustentável Biataki ou a prancha de surf que está a construir com checo Štěpán Řezníček “a partir de placas de espuma isolante de dois velhos frigoríficos encontrados à beira da estrada”, como descrito ao jornal.

Andreas, Štěpán e a prancha de surf sustentável. FB The Trash Traveler