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Menina lança petição contra exportação de resíduos de plástico

Aterro de plástico a céu aberto
Imagem: Pexels

Lizzie, de 9 anos, lançou uma petição para acabar com esta prática e reuniu mais de 90 mil assinaturas.

No início de 2021, entrou em vigor uma norma que impede os 27 estados-membros da União Europeia de exportar resíduos de plástico não reciclável para países em vias de desenvolvimento. O Reino Unido, por sua vez, depois dos muitos avanços e recuos na negociação do Brexit, não avançou com esta proibição e continua a exportar resíduos de plástico para países pobres. Mas Lizzie A.*, uma menina britânica de apenas 9 anos, não quis aceitar que assim fosse e lançou uma petição. 

Lizzie A., de 9 anos. Imagem: The Guardian.
Lizzie A., de 9 anos. Imagem: The Guardian.

“Na escola aprendemos como os plásticos podem prejudicar o ambiente e o que lhes acontece ao fim de vários anos. Eles partem-se em microplásticos e podem afetar a vida marinha. Sou apaixonada pelos oceanos e fiquei triste ao saber que o plástico pode acabar nos oceanos por causa das exportações., explicou a jovem ambientalista em declarações ao jornal The Guardian.

Lizzie está bem a par das dimensões da situação. Também ao jornal The Guardian, afirmou: “Somos muito preguiçosos ao não lidar com o nosso próprio plástico. É uma grande quantidade de plástico. São mais de 300 toneladas todos os dias. Enviamo-lo para comunidades que não conseguem lidar com ele e que o queimam.”

Em menos de uma semana, a petição de Lizzie conseguiu mais de 70 mil assinaturas e, à data de redação deste artigo, já contava com mais de 90 mil.

Petição da menina de 9 anos chega ao Parlamento

No passado dia 27 de janeiro, a petição chegou ao Parlamento do Reino Unido pelas mãos da deputada do Partido Verde Caroline Lucas. Recebeu como resposta de Boris Johnson a promessa de avançar com a proibição de exportar resíduos de plástico, no entanto, ainda sem data concreta. Por isso, a petição de Lizzie continua online e a menina apela ainda a todos os compatriotas que escrevam cartas dirigidas aos seus representantes no Parlamento para pressionar a ação do governo nesta matéria.

Reino Unido é o segundo maior exportador de plástico não reciclável

O Reino Unido é atualmente o segundo maior exportador de resíduos de plástico não reciclável, logo atrás dos Estados Unidos da América. Só em setembro de 2020, este país enviou mais de 6800 toneladas de plástico não reciclável para países como Malásia, Paquistão e Indonésia.

Não obstante a promessa de 2019 por parte do partido conservador britânico de acabar com esta exportação para territórios exteriores à OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), tal ainda não aconteceu. Não tendo condições apropriadas para o tratamento adequado de resíduos, estes territórios, em geral, pobres, acabam por incinerá-los ou queimá-los.  

Indonésia. Trabalhador a adicionar plástico numa fornalha. Imagem: Ulet Ifansasti, The New York Times
Indonésia. Trabalhador a adicionar plástico numa fornalha. Imagem: Ulet Ifansasti, The New York Times.

Plástico queimado em países em vias de desenvolvimento contamina cadeia alimentar

Na Indonésia, por exemplo, parte do plástico importado é usado como combustível por fabricantes locais de tofu, o que acaba por contaminar o produto, mas não só. 

Produção de tofu em pequena cozinha comercial, na Indonésia. Imagem: Ulet Ifansasti, The New York Times
Produção de tofu em pequena cozinha comercial, na Indonésia. Imagem: Ulet Ifansasti, The New York Times.

Um estudo da organização não governamental indonésia Nexus3, em colaboração com associações ambientalistas internacionais, demonstrou que os microplásticos gerados por estas queimadas estão a entrar na cadeia alimentar de formas menos óbvias. Em ovos de galinhas criadas pelas comunidades locais no leste da ilha de Java foram detetados altos níveis de dioxinas e outras substâncias tóxicas.

Os resíduos de plástico não reciclável representam uma grande ameaça ao ecossistema e, por conseguinte, aos seres humanos. Estudos como o da Nexus3 evidenciam que as consequências para nós são mais diretas do que muitas vezes imaginamos.

Se quer começar a reduzir a sua pegada ecológica, siga as nossas dicas simples para uma vida com menos plástico.

*Nome completo da menina não divulgado pela comunicação social a pedido da família