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Plástico causa mutações em ouriços-do-mar

Estudo promovido pela Universidade de Exeter, em Inglaterra, demonstra que resíduos de plástico podem libertar substâncias nocivas nos oceanos. Em experiência laboratorial, ouriços-do-mar que tiveram contacto com águas contaminadas desenvolveram várias deformações e problemas no sistema nervoso.

É mais uma evidência de quanto o plástico que acaba no mar pode ser prejudicial.

Ouriços do mar
Ouriços do mar. Foto: Pixabay.

Plásticos de uso comum são com frequência tratados com produtos químicos, por exemplo, para os tornar mais maleáveis ou mais resistentes. Se forem parar aos oceanos, levam consigo os químicos que os compõem. Poderão estas substâncias ser tóxicas? 

“Aprendemos cada vez mais sobre como a ingestão de plástico afeta os animais marinhos […] Contudo, pouco se sabe sobre os efeitos da exposição às substâncias químicas que podem ser largadas na água por fragmentos de plástico.” Quem o afirma é Flora Rendell-Bhatti, investigadora no Centro de Ecologia e Conservação, da Universidade de Exeter

Com o objetivo de compreender melhor esta problemática, os cientistas procederam a uma experiência. Embeberam em água do mar, durante 72 horas, várias amostras de plástico. Depois, retiraram-no, e colocaram embriões de ouriços-do-mar nessas mesmas águas. Estes embriões evoluíram para o estado de larva, como é próprio da espécie, mas com diversas mutações, incluindo esqueletos deformados e complicações do sistema nervoso. 

Paralelamente, um outro conjunto de embriões de ouriços-do-mar foi depositado em águas que continham partículas virgens de polietileno, ou seja, que não tinham sido tratadas com aditivos químicos. Este segundo grupo desenvolveu-se normalmente.

Larvas de ouriço do mar - saudável versus deformada

A larva de ouriço à esquerda é uma larva saudável, enquanto a da direita se desenvolveu com deformidades devido aos produtos químicos, presentes no plástico, que contaminaram a água.
Imagem: Eva Jimenez-Guri.

Plásticos com químicos prejudiciais à saúde

Embora a experiência tenha sido realizada com granulados de pré-produção (pellets a partir dos quais se produz a grande maioria dos plásticos) e filtros flutuantes usados no tratamento de águas, simulando um ambiente altamente poluído, os investigadores asseguram que a maioria dos plásticos pode ter efeitos semelhantes aos do estudo. 

Nas águas onde tinham sido mergulhados os plásticos tratados quimicamente, foi detetada a presença de substâncias químicas como bifenilos policlorados (PCB) e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAP), que se sabe serem prejudiciais ao desenvolvimento saudável de seres vivos. A exposição a estes compostos não é necessariamente nociva. No entanto, a evidência científica sugere que uma exposição continuada pode resultar em problemas de saúde. Tanto PCB como HAP estão mesmo associados a um aumento da incidência de vários tipos de cancro. 

Urge, por isso, encontrar alternativas aos químicos que têm vindo a ser utilizados, e, claro, reduzir o recurso ao plástico sempre que possível. “Este trabalho contribui para a crescente evidência de que todos precisamos de ajudar a reduzir a contaminação por plástico na natureza, para garantir ecossistemas saudáveis ​​e produtivos para as gerações futuras”, conclui Flora Rendell-Bhatti.