Monitorizar o plástico nos oceanos a partir do espaço

Projeto da Agência Espacial Europeia conta com a participação portuguesa.
ESA monitorizar plástico a partir do espaço

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Projeto apoiado pela Agência Espacial Europeia testa com satélites a monitorização do lixo de plástico que se acumula nos oceanos. Portugal é um dos países envolvidos.

Durante duas semanas, um simulador preparado para o efeito reproduziu ondas do mar profundo, num tanque específico, para monitorizar o efeito destas no lixo de plástico. No comunicado publicado pela Agência Espacial Europeia (ESA), Peter de Maagt explicou que o objetivo é responder a algumas questões fundamentais: “É possível detetar plásticos a flutuar com a monitorização espacial? E, se assim for, que técnicas são mais promissoras?”, exemplificou.

Os testes decorreram no Instituto de Investigação Deltares, na Holanda, e contou com a participação de equipas científicas de vários países. Peter de Maagt referiu no mesmo comunicado que decidiram disponibilizar as instalações “para vários grupos europeus que investigam diferentes métodos (via) satélite para identificar lixo de plástico no oceano”, procurando selecionar “ideias inovadoras para novas atividades de investigação espacial.” Portugal participou nos testes com uma equipa do Instituto de Telecomunicações.

“À caça do plástico nos oceanos”

Na página oficial da ESA, o projeto é introduzido pela ideia de “caça do plástico nos oceanos”, seguido de alguns números e factos: “Os investigadores apenas sabem o que acontece a cerca de 1%” do lixo de plástico que vai parar ao oceano. “A monitorização por satélite poderá ajudar, no futuro, a monitorizar a sua extensão” e a ver para onde vai.

“A melhor estimativa aponta para que 10 milhões de toneladas de plástico entrem anualmente no oceano

ESA

A equipa de cientistas portugueses participou usando “sensores remotos por radar para simular observações do mar feitas a partir do espaço”, segundo publicado pela ESA. Equipas de outros países fizeram os testes recorrendo a outros instrumentos e tecnologias de satélite para simular as mesmas condições de observação.

Que tipo de testes foram feitos?

Para contextualizar o tipo de testes, Anton de Fockert, engenheiro hidráulico do Instituto de Investigação Deltares, explicou no comunicado publicado pela ESA que “os plásticos perturbam os padrões das ondas dos oceanos e o satélite mede essa perturbação”.

Para a experiência foi utilizado um reservatório de água com 650 metros quadrados onde foram testados os efeitos na ondulação da água provocados pelo plástico. Para tornar a experiência mais realista, foram colocados objetos de plástico que habitualmente são encontrados nos oceanos, tais como sacos, garrafas e redes de pesca e até beatas de cigarros.  

“Começámos com muito plástico a flutuar e sem ondas, reduzindo a quantidade à medida que começámos com ondas ligeiras, que fomos tornando progressivamente maiores”, descreveu Anton de Fockert. Os resultados dos testes estão agora a ser processados. 

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