Estarão as mulheres a liderar a “revolução” no consumo sustentável?

A propósito do Dia Internacional da Mulher, analisamos um relatório sobre consumo consciente.

Um recente artigo publicado no The Guardian lança uma questão sobre o “eco gender gap”, ou como “salvar o planeta é visto como um trabalho das mulheres” (citando o título). Com base numa pesquisa da Mintel, uma empresa norte-americana de estudos de mercado, são as mulheres que mais se preocupam com as escolhas de consumo sustentáveis. A principal razão apontada é a oferta: a maioria dos produtos que apresentam preocupações mais amigas do ambiente é direcionada ao público feminino.

Os cosméticos foram reduzindo a quantidade de plástico nas suas embalagens, a pesquisa sobre os microplásticos foi-se aprofundando e os produtos de higiene íntima apresentam uma oferta cada vez mais diversificada e sustentável (como é exemplo o coletor menstrual, já disponível em muitos hipermercados). O mesmo estudo atribui uma responsabilidade desproporcional na escolha dos produtos da esfera doméstica – continuam a ser maioritariamente as mulheres que escolhem que produtos de limpeza comprar para casa.

Os profissionais do marketing alegam que tem sido feito um esforço para uniformizar as mensagens comerciais para um género neutro. No geral, é importante que todos – homens e mulheres – tenham em conta as escolhas mais sustentáveis na hora de comprar. Origem dos produtos, processo de produção, embalagem, reutilização: no que respeita ao consumo sustentável, são muitos os fatores a ponderar, mas, essencialmente, não há género para a consciência ecológica.