A programação do LU.CA fez uma “dedicatória ao planeta Terra”

Atividades do LU.CA – Teatro Luís de Camões no âmbito de Lisboa Capital Verde.

A programação do LU.CA – Teatro Luís de Camões, em Lisboa, é pensada para os jovens até aos 16 anos e procura a expressão de ideias “além do palco”. Para a programação deste ano, a direção artística do LU.CA procurou abordagens que refletissem questões ligadas à urgência climática, em estreita relação com o Município no âmbito do reconhecimento de Lisboa enquanto Capital Verde Europeia 2020.

Questionada sobre as principais preocupações na escolha do programa, Susana Menezes, diretora artística do LU.CA, procurou “convocar diferentes agentes: biólogos, engenheiros, gestores e artistas”, sensibilizando e educando “para uma matéria comum e urgente”. A programação tem também em conta os diferentes públicos, dos alunos do pré-escolar às famílias. “As artes existem e têm diferentes formas, mas também exprimem pensamentos, preocupações, urgências, amores e crenças” – e os artistas são vozes ativas que passam essas mensagens através do seu trabalho. No LU.CA, os projetos prolongam-se para fora do palco para se instalarem nos diferentes espaços do teatro. Há vídeos que explicam os espetáculos, exposições e até uma biblioteca que complementa as mensagens passadas nas diferentes atividades. Para a direção artística do LU.CA, é essencial trabalhar “a relação entre a apresentação de uma ideia e a sua implantação no espaço”.

A propósito de Lisboa Capital Verde, 2020 começou com uma espécie de dedicatória ao Planeta Terra, com a organização do Ciclo +Azul: “Com este ciclo, desejávamos ampliar o entendimento e a discussão sobre as urgências climáticas”, através de diferentes propostas “ligadas à arte e ao pensamento”, conta Susana Menezes. “Programamos debates, cinema, leituras encenadas, vistas-passeio aos jardins vizinhos, oficinas e formação para professores”, estes últimos considerados “importantes interlocutores com os nossos públicos prioritários”.

Foram várias as atividades que integraram a programação do Ciclo +Azul
DR FB LU.CA

Ciclo +Azul: 10 dias de intensa programação

No âmbito de uma programação que apela à proteção do nosso planeta, o problema do lixo de plástico foi um dos temas abordados no Ciclo +Azul, que decorreu entre 10 e 19 de janeiro. Uma das atividades relacionadas com o plástico foi a exposição Bonecos Salgados do artista Ricardo Nicolau, no entrepiso do LU.CA, com instalações feitas a partir de plástico recolhido nas praias. A partir das visitas guiadas para o público escolar, a diretora artística do LU.CA conta que surgiram “uma série de conversas que não estavam programadas mas que nos permitiram ouvir as crianças, numa abordagem mais informal, sobre a sua consciencialização para o tema”. A exposição parece ter servido também de inspiração para as crianças fazerem experiências semelhantes na escola, segundo confidenciou a equipa do LU.CA.

Exposição “Bonecos Salgados” patente até 2 de fevereiro. Entrada livre.

Também Ana Pego, autora do livro Plasticus Maritimus (uma espécie de “inventário de lixo marítimo”, como descreve Susana Menezes), dinamizou atividades durante o ciclo, entre as quais se destaca a formação para professores e educadores, na qual “exploraram tanto o lado científico como o lado artístico” e foram-lhes dadas ferramentas para aplicar em sala de aula.

“Viver em harmonia com a Natureza”

Assistimos a um dos debates programados para os alunos do 2º ciclo sobre os oceanos, dinamizado por Cátia Nunes e pela bióloga marinha Rita Sá, ambas da Associação Natureza Portugal (ANP) – que trabalha directamente com o World Wildlife Fund (WWF), uma das maiores organizações mundiais de proteção ambiental.

Rita Sá (à esquerda da imagem) e Cátia Nunes (à direita), da ANP/WWF
DR FB LU.CA

Para “vivermos em harmonia com a Natureza”, de acordo com a missão da ANP/WWF, Cátia e Rita destacam a importância das atividades educativas onde têm oportunidade de falar sobre biodiversidade, relação entre ecossistemas e importância de preservarmos o planeta. Cátia explica que estão “a desenvolver programas para trabalhar com empresas e com adultos. Temos também sessões com professores para explicar como podem passar a mensagem de outra forma”, mas uma das principais formas de comunicar estas mensagens é através do contacto com o público escolar. “Não é difícil trabalhar com os miúdos, pelo contrário. E eles acabam por ser embaixadores das causas, partilhando com a família”, conta com entusiasmo. O LU.CA é, portanto, um espaço multiusos aberto à expressão destas e de outras mensagens.

Fazendo um balanço deste primeiro ciclo de programação do ano, a direção artística do LU.CA mostra-se surpreendida pela adesão: “Superou largamente as nossas expectativas”. Foi também uma oportunidade para perceber que “mesmo sendo um assunto na ordem do dia, ainda há muitas dúvidas e questões para esclarecer”. Nesse sentido, o LU.CA promete “continuar a desenvolver ações que ajudem a sensibilizar para estes temas” e apela para a importância de todos contribuírem para o trabalho contínuo de preservar e honrar o planeta Terra.