O Ocean Cleanup em ação

Será possível “barrar” os plásticos que flutuam nos oceanos?

O Ocean Cleanup, projeto de Boyan Slat para travar os resíduos de plástico que flutuam nos oceanos, começa finalmente a dar resultados. Distinguido pelas Nações Unidas em 2014, com apenas 18 anos, o jovem holandês foi considerado uma das personalidades que mais contribuem para a preservação do Meio Ambiente.

Boyan Slat criou um sistema de recolha dos resíduos que ‘flutua’ de acordo com as correntes marítimas. Constituído por um conjunto de tubos em forma de U, ‘trava’ os plásticos como se fosse uma espécie de barreira. Concentrando os resíduos, facilmente se podem recolher – e tem uma abertura no fundo para que os peixes que eventualmente entram no sistema se possam libertar. A solução foi apresentada em 2013, teve uma campanha de crowdfunding para a operacionalizar e foi para a água em 2018.

Vídeo explicativo. Fonte: The Ocean Cleanup

Depois de um ano de testes, durante o qual a estrutura chegou mesmo a partir-se, o Ocean Cleanup começa finalmente a conseguir resultados efetivos. A partir dos dados recolhidos com a primeira versão, Boyan Slat conseguiu aperfeiçoar o sistema. Uma das maiores dificuldades registadas era a recolha de plástico. Agora com o modelo 002, o criador do projeto já anunciou que está a conseguir recolher resíduos de uma das ilhas de lixo do Pacífico. O segredo parece ser usar as correntes e o vento para equilibrar o sistema com a própria força da natureza.

O objetivo para os próximos quatro anos é reforçar e ampliar o sistema e conseguir recolher pelo menos metade dos resíduos que flutua no Pacífico, cerca de 40 mil toneladas de plástico.

Antes dos oceanos, os rios

No final de outubro, Boyan Slat anunciou a expansão do Ocean Cleanup para alguns dos rios mais poluídos do mundo, evitando que o lixo chegue ao mar. O sistema é ‘arrastado’ por barcos e garante, em condições perfeitas, a recolha de cerca de 50 mil quilos de lixo por dia. Para já, os barcos do Ocean Cleanup estão na Indonésia, Malásia, Vietname e República Dominicana. O ambicioso objetivo é que até 2025 o sistema fluvial seja movido a energia solar e que esteja presente nos rios mais poluídos do mundo.

O sistema adaptado aos rios. Fonte: The Ocean Cleanup

Além da distinção das Nações Unidas, em 2016 a revista Forbes considerou Boyan Slat um dos 30 jovens mais influentes do mundo abaixo dos 30 anos, em 2017 a Reader’s Digest nomeou-o “Europeu do Ano” e em maio de 2018 foi a vez da Euronews o galardoar com o prémio de “Empreendedor Europeu do ano”.

Boyan Slat. Fonte: The Ocean Cleanup