Reciclar a caminhar. O plástico reciclado chega ao calçado.

Gigantes como a Adidas já têm coleções feitas a partir de plástico recolhido no oceano, mas também há startups nacionais a darem os primeiros passos na criação de modelos de calçado feitos a partir de materiais reciclados.

Desde 2015 que a Adidas, em colaboração com a Parley for the Oceans, desenvolvem roupa e calçado desportivo a partir de fibras de plástico reciclado, recolhido no oceano. O primeiro protótipo, lançado por ocasião da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2015, serviu também como exemplo e até provocação para a indústria repensar de que forma o eco-design (um dos princípios da Economia Circular) pode ser um contributo para alertar o mundo para a necessidade de travar a proliferação do plástico na Natureza.

Vídeo de apresentação do projeto da Adidas e da Parley for the Oceans

Ircycle. Mudar o mundo, passo a passo

Diretamente do oceano para os pés, também a Ircycle, agora como marca Skizo, propõe transformar plástico recolhido no oceano em sapatilhas. Apresentaram o protótipo na última WebSummit, em Lisboa, e o feedback de investidores, público e meios de comunicação foi muito positivo.

DR, FB Ircycle. Um dos modelos da marca

A ideia surgiu a André Facote depois de ver um documentário sobre a dimensão do problema da acumulação de plástico nos oceanos. Juntamente com a mulher, Andreia Coutinho, começou a dar forma ao projeto. O plástico, recolhido na costa espanhola, vem para Guimarães pronto a ser transformado em matéria têxtil. Depois, é em São João da Madeira – conhecida pela tradição na indústria do calçado -, que as sapatilhas são feitas.

Uma das características que distinguem os modelos da marca é a personalização. Com materiais reciclados e orgânicos, como fibra natural das folhas do ananás, os clientes podem dar um toque pessoal às encomendas. Em breve, a marca espera desenvolver também vestuário – a partir da fibra têxtil conseguida com o plástico reciclado, é possível criar inúmeros produtos.

Zouri, as sandálias orgânicas do Minho

Na mesma lógica, a Zouri, marca de calçado “eco-vegan” nascida no Minho, começou por produzir artesanalmente sandálias a partir de materiais orgânicos e reciclados (como as rolhas de cortiça, para as solas), de fibra das folhas do ananás – Pinãtex – e de plástico recolhido nas praias de Esposende.

Adriana Mano e António Barros, amigos, ambos ligados ao design de calçado e igualmente apaixonados pelo mar, tiveram a ideia e puseram-na em prática. A ação inicial, teve o apoio do Município de Esposende, com uma limpeza voluntária da praia, que resultou em cerca de 1000 kg de plástico recolhido.


DR, FB Zouri. Esquema ilustrativo dos materiais utilizados

Para cada par de sandálias, são necessários cerca de 100 gramas de plástico reciclado, o equivalente a umas 6 garrafas de plástico. Para encontrarem a fórmula ideal para combinação dos materiais, contaram com o apoio do Departamento de Engenharia de Polímeros da Universidade do Minho e de artesãos do concelho de Guimarães.

Com a colaboração de ONG’s e escolas, têm promovido mais ações de limpeza de praias e, em breve, além de Esposende, também o concelho de Viana do Castelo terá menos plástico nas suas praias. A Zouri tem crescido muito nos últimos meses, com novas coleções e com o apoio de figuras públicas.