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Poluição de Plástico: Uma questão de comportamento, não de material

Por Pedro São Simão I Diretor Geral da Ernesto São Simão, Vogal da Direção da Associação Smart Waste Portugal, Coordenador do Pacto Português para os Plásticos

De acordo com um estudo da Agência Portuguesa do Ambiente, 89% do lixo marinho encontrado nas praias de Portugal é plástico. O problema da poluição de plástico é um problema global, grave e crescente.  

Se nada fizermos, o ritmo de vazamento de plástico para os oceanos irá triplicar até 2040, o que representa ter quatro vezes mais plástico nos oceanos nesse ano, em comparação com 2016 – uma estimativa de quase 30 milhões de toneladas. A escala global e a dimensão do problema é exacerbante, e a sua solução de uma enorme complexidade. Mas, cabe lembrar, que o problema da poluição de plásticos é um problema criado pela humanidade, e só ela o poderá solucionar.  

Os plásticos têm, e continuarão a ter, um papel determinante nas nossas sociedades, nomeadamente em termos de sustentabilidade. O seu baixo custo de produção e transporte, permitem a democratização do consumo. As suas características garantem a segurança alimentar, e a preservação dos alimentos – por períodos cada vez mais extensos, evitando o desperdício alimentar. De facto, tendo nascido numa sociedade dominada por produtos e embalagens de plástico, não consigo conceber um mundo sem eles – pelo menos, com o mesmo padrão de vida.  O problema da poluição dos plásticos não é um problema do material, mas dos comportamentos. Nomeadamente, os associados a uma lógica de consumo linear e descartável. Uma mudança de comportamentos, para uma lógica mais circular, é essencial a nível nacional e global. Eliminar o desnecessário ou problemático, inovar para reutilizar, garantir a reciclabilidade dos produtos e embalagens e a efetiva reciclagem de boa qualidade, incorporar crescentemente plásticos reciclados em novos produtos, são as premissas essenciais para criar uma nova economia dos plásticos. E esse processo deve ser feito de forma sistémica, envolvendo toda a cadeia de valor e partes interessadas, e centrado no elo mais importante dessa cadeia – o consumidor.  

A Smart Waste Portugal tem liderado essa mudança sistémica em Portugal, nomeadamente através do Pacto Português para os Plásticos, e contribuído para o diálogo global através da colaboração com entidades como a Fundação Ellen MacArthur e as Nações Unidas.   

Mas o caminho é longo, e o passo mais importante no curto prazo é garantir a perceção generalizada da sociedade que o problema dos plásticos não é o plástico, mas sim a atitude de cada um de nós. Todos temos um papel determinante em resolver este problema. Só com a assunção generalizada dessa responsabilidade poderemos avançar na direção de uma verdadeira economia circular para os plásticos, na qual garantimos a eliminação da poluição.