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“Aqualastic: mais água, menos plástico”

Conheça o projeto do Laboratório da Paisagem de Guimarães.

Já ouviu falar do Laboratório da Paisagem, em Guimarães? Funciona como uma espécie de centro de operações de projetos ambientais e de desenvolvimento sustentável ligados à investigação e com uma forte componente educativa e de interação com a comunidade. É uma entidade sem fins lucrativos que conta com o Município de Guimarães, a Universidade do Minho e a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro como principais parceiros. As áreas de intervenção passam pela economia circular, pelos recursos hídricos e pela educação ambiental, no sentido de consciencializar e sensibilizar a população para os problemas que diariamente afetam a paisagem urbana.

No âmbito de uma candidatura ao Fundo Ambiental do Ministério do Ambiente e da Transição Energética, o Laboratório da Paisagem implementou o projeto Aqualastic com o propósito de sensibilizar a população para o impacto da utilização excessiva de plástico. Especialmente no que respeita ao plástico de uso único e à forma como está a afetar os ecossistemas através das linhas de água.

O Laboratório da Paisagem é o mais recente membro do Pacto Português para os Plásticos.

“Aqualastic: educar, reduzir e valorizar”

Nuno Silva, investigador do Laboratório da Paisagem e responsável pelo Aqualastic, falou-nos sobre as ideias que levaram a este projeto e à sua concretização, através do Fundo Ambiental. “Não foram ideias novas que, de repente, surgiram”, diz Nuno Silva. A candidatura foi estruturada, nas palavras do investigador, “com base naquilo que temos vindo a trabalhar”. Este Fundo Ambiental foi, no entanto, um apoio fundamental para que a implementação das ações avançasse.

Apesar de pouco tempo para tantas ações – cerca de dois meses para planeamento, execução e avaliação –, desde 16 de outubro que o Aqualastic está na rua com arte urbana, uma instalação e uma exposição. Talvez com menos visibilidade para os vimaranenses mas com um propósito que vai para além da sensibilização, foram também instaladas uma “eco barreira” numa das linhas de água urbanas de Guimarães e uma espécie de filtros personalizados, adaptados a escoadouros da cidade, para reter resíduos. O plástico recolhido em ambas as estruturas será, no final, transformado em mobiliário urbano com a colaboração do parceiro Extruplás, empresa que se dedica à reciclagem e recuperação de plástico para depois lhe dar esta nova vida.

Uma das intervenções artísticas do Aqualastic contou com a arte urbana dos artistas locais Nelson Xize e Nuno Machado. Para ver na zona de Couros, nas ruas da Ramada, de Vila Verde, São Francisco e Avenida D. Afonso Henriques.
A exposição fotográfica “Rios de plástico”, de André Brito e Joaquim Beteriano, exibiu dez imagens dos rios Selho e Ave onde o lixo de plástico se sobrepõe à fauna e flora. As fotografias foram ampliadas e espalhadas numa das principais artérias do centro histórico.
Em plena Praça do Toural, bem no coração da cidade, a instalação artística “Fonte da vida” reproduziu o cenário dramático de muitos cursos de água que se enchem de lixo de plástico. Da autoria do vimaranense Pedro Teixeira.
“E se o lixo que chegou ao mar voltasse a casa?” O outdoor com esta mensagem e garrafas de plástico ‘presas’ a uma rede, instalado numa das vias mais movimentadas de Guimarães, captou a atenção de quem passava de carro e a pé.

Reduzir os resíduos de plástico nas linhas de água

A instalação de uma “eco barreira” no rio Selho e “filtros de retenção de resíduos para colocar nas sarjetas” por onde escoam as águas pluviais da cidade, explicou Nuno Silva, foram outras das ações do projeto. Foram pensadas para travar os resíduos que chegam às linhas de água através da rede urbana – maioritariamente, espante-se, resíduos de plástico.

“Uma grande parte do lixo que vai ter aos rios”, dependendo do local, “é proveniente das escorrências urbanas”. O que está nos passeios é arrastado pela água da chuva, entra nas sarjetas e acaba por desaguar nos rios. Embora não seja uma solução viável para resolver o problema – seria insustentável colocar barreiras destas em todas as sarjetas -, Nuno Silva justifica que os filtros de retenção servem essencialmente para “recolher, triar e caracterizar os resíduos” e posteriormente mostrar às pessoas a origem do lixo. “A solução passa por o lixo não chegar lá”, conclui. Publicar os resultados nas redes sociais, por exemplo, mostrar os “papéis de rebuçado, as pastilhas elásticas, as pontas de cigarro, as palhinhas” que tantas vezes acabam atirados ao chão.

Filtros de retenção de resíduos num dos escoadouros de águas pluviais da cidade de Guimarães. DR Laboratório da Paisagem.

Já o protótipo de eco barreira instalado no rio Selho tem duas funções: reter o lixo que flutua, numa primeira zona, e depurar a água através de plantas aquáticas integradas no que o Laboratório da Paisagem denominou de ilhas flutuantes. Toda a barreira foi construída com materiais sustentáveis e cortiça, especificamente nas ilhas que suportam as plantas.

A eco barreira instalada no rio Selho, “uma das principais linhas de água urbanas do concelho” de Guimarães. DR Laboratório da Paisagem.

“Mais água, menos plástico” é o slogan do Aqualastic, um projeto temporário mas cuja mensagem se pretende que perdure – tal como algumas das ações que dele fizeram parte desejavelmente continuarão a ser implementadas.

[No âmbito do Aqualastic, o Laboratório da Paisagem dinamizou 4 webinars sobre o problema dos plásticos. Poderá (re)vê-los na página do Facebook.]

Making-of da preparação das intervenções Aqualastic na cidade de Guimarães