YPACK, bioplástico a partir de desperdícios alimentares

O YPACK é um projeto inovador de investigação, cofinanciado pela UE, cujo propósito é encontrar uma alternativa ao plástico de origem fóssil a partir de resíduos alimentares.

Protótipos de embalagens YPACK.

Encontrar uma alternativa às embalagens de plástico de origem fóssil, aproveitando desperdícios alimentares, é uma solução altamente sustentável. Conseguir industrializá-la é o objetivo do projeto europeu YPACK, desenvolvido por um consórcio de entidades e cofinanciado pelo programa Horizonte 2020 da União Europeia. Coordenado pelo Instituto de Agroquímica e Tecnologia de Alimentos de Valência, conta com a colaboração do INL -Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia (sediado em Braga), com as universidades do Minho e Nova de Lisboa e com o Continente, o único retalhista nacional deste consórcio europeu.

A proposta sugere uma solução “3 em 1”, que permite que a embalagem, criada a partir de desperdícios alimentares, seja verdadeiramente biodegradável, compostável e que prolongue a conservação dos alimentos.

José María Lagarón, coordenador da investigação, explicou-nos o projeto e mostrou-nos alguns protótipos:

O projeto, iniciado em novembro de 2017, terá uma duração de 3 anos. Neste momento, prepara-se o lançamento de projetos-piloto para testar as embalagens em superfícies comerciais. Até ao final deste ano, será possível encontrar embalagens YPACK em algumas lojas Continente.

“Este é um processo natural, por isso basta-nos pegar no desperdício proveniente da indústria alimentar, voltar a colocá-lo no solo e as bactérias presentes nos resíduos alimentam-se dos mesmos e geram este plástico”.

Uma vez que se decompõe à base de H2O e Co2 (água e dióxido de carbono), o material degrada-se naturalmente no solo ao final de cerca de 50 dias e pode ser usado como fertilizante para a terra. No oceano, estima-se que uma embalagem YPACK se decomponha total e naturalmente em menos de 100 dias. Estamos perante um novo paradigma, que reintroduz os materiais no ciclo mas que vai um bocadinho mais além, numa lógica de Bioeconomia Circular: uma economia circular assente em soluções que utilizam recursos e resíduos biológicos.