Um brinde aos eventos sem plástico descartável

Festas académicas e festivais de verão com copos reutilizáveis, cidades como Lisboa sem copos de plástico descartável: um pouco por todo o lado, impõe-se uma utilização mais responsável do plástico. Também nos eventos desportivos, o plástico tem os dias contados.

CNU 2019: um dos pontos de abastecimento de água disponibilizados para o evento

Até 2021, a utilização de plásticos de uso único, como é o caso dos copos e talheres descartáveis, será proibida em todos os estados-membros. A medida obriga os produtores a repensarem a oferta e os consumidores a tomarem consciência da sua responsabilidade individual. No dia-a-dia, em grandes eventos, em casa e no trabalho, o plástico de ‘usar e deitar fora’ tem os dias contados.

Em altura de festas académicas, é comum observar-se um “mar de copos de plástico” após cortejos e outros momentos altos. Na Queima de Coimbra, por exemplo, a média de copos estimada depois de uma semana de festividades seria de mais de 700 mil copos descartáveis. Desde 2018, à semelhança da Queima do Porto, os copos reutilizáveis passaram a estar disponíveis. Este ano, também nas Semanas Académicas do Algarve e de Vila Real não existem copos descartáveis – os estudantes podem adquirir copos reutilizáveis e contribuir, assim, para um evento mais ecológico.

Depois das festas académicas, começa a “temporada” dos festivais de verão, momentos propícios a um grande consumo de bebidas. Até por uma questão de segurança, o plástico é o material de eleição nestes eventos. No entanto, mesmo antes das recomendações europeias proliferarem, festivais como o Primavera Sound, em Barcelona e no Porto, começaram a implementar a obrigatoriedade de comprar copos reutilizáveis (com direito à devolução da caução). De festival para festival, das ruas de Lisboa (obrigatoriamente a partir do início de 2020) aos bares de todo o país, os copos de plástico – aqueles que acabavam no chão das ruas, das praças, das pistas de dança – estão a desaparecer.

Desporto e sustentabilidade

Também nos eventos desportivos, o plástico começa a desaparecer. Entre 28 de abril e 10 de maio, a Universidade do Minho recebeu as fases finais dos Campeonatos Nacionais Universitários. Andebol, atletismo de estrada, basquetebol, futebol, futsal, hóquei em patins, rugby e voleibol, foram as modalidades praticadas durante estas duas semanas por cerca de 2000 atletas oriundos de mais de 20 universidades e faculdades nacionais. 242 jogos disputados, 165 árbitros, 250 pessoas ligadas à organização. Garrafas de água de plástico descartável? Zero.

CNU 2019: 30 pontos de água espalhados pelos 13 espaços da competição

Diogo Arezes, do gabinete de sustentabilidade dos serviços de acção social da Universidade do Minho (SASUM), integra esta iniciativa numa estratégia de sustentabilidade maior, transversal a todas as áreas de atuação e setores de atividade da instituição de ensino. “A aposta no desenvolvimento sustentável tem sido uma prioridade dos SASUM. Em abril de 2018 desenvolvemos um Plano Estratégico de Sustentabilidade, composto por 17 programas, transversais a todas as áreas de atuação e setores de atividade. Neste contexto, já operacionalizamos muitas iniciativas centradas na eliminação e substituição do plástico descartável. Por exemplo, acabamos com os talheres e pratos de plástico descartável nas nossas unidades alimentares, substituímos mais de 90 000 copos de plástico de café, das máquinas vending, por copos de papel reciclável e reduzimos, para valores residuais, o consumo de palhinhas”.

Para os Campeonatos Nacionais Universitários deste ano, o plano de ação, conjuntamente definido pelos SASUM e pela Associação Académica da Universidade do Minho, incluiu dez programas específicos para assegurar os princípios da sustentabilidade. “A redução do consumo de plástico descartável e das emissões de gases com efeito de estufa bem como a promoção da economia circular e da mobilidade sustentável foram os eixos principais deste Plano”.

CNU 2019: atleta com garrafa reutilizável oferecida pela organização

Resultados visíveis: foram disponibilizados mais de 30 pontos de água espalhados pelos treze espaços que acolheram a competição e foram distribuídos mais de 3000 cantis. “Simultaneamente, equipamos os pavilhões com 46 ecopontos – num total de 184 contentores, divididos entre vidro, plástico, cartão e lixo comum – o que possibilitou aumentar, de uma forma muito significativa, a quantidade de resíduos encaminhados para tratamento e valorização”.

Houve também uma forte aposta na comunicação, com uma campanha online de incentivo à reciclagem e promoção de uma tertúlia sobre o impacto do Desporto na promoção da sustentabilidade. Sobre o caminho a seguir, Diogo Arezes acredita que é a partir de ações como estas que os SASUM estão a construir “um legado para organizações futuras de eventos desportivos universitários, no qual a sustentabilidade passe a surgir como um vetor orientador de atuação”.