Plástico biodegradável a partir das lulas?

As alternativas ao plástico são cada vez mais procuradas, cada vez mais faladas e cada vez mais criativas mas é difícil encontrar matéria-prima que permita a produção industrial, de forma ecológica e rentável. Um estudo publicado na Frontiers in Chemistry sugere que os tentáculos das lulas têm super características que dão resposta a todos os problemas anteriormente referidos. Será?

A investigação científica tem trabalhado em novos materiais que partilhem características comuns com o plástico mas que sejam mais amigos do ambiente na forma como são constituídos e depois destruídos. As questões mais difíceis de contornar são ambientais e… financeiras. Pela multiplicidade de aplicações que tem, é difícil encontrar materiais equiparáveis ao plástico.

Um material que conserve e prolongue a vida de alimentos, por exemplo, não é nada fácil de conseguir e de produzir em quantidades que sejam economicamente sustentáveis. A pegada ecológica para obtenção de matéria-prima suficiente para dar resposta a quantidades industriais também é questionável, pelo que os resultados do estudo dedicado a uma bactéria dos tentáculos da lula sejam tão surpreendentes.

Dois cientistas da Universidade norte-americana de Penn State, na Pensilvânia, publicaram os resultados de uma investigação dedicada a uma espécie de biopolímero que se pode encontrar nos tentáculos das lulas. Abdon Pena-Francesch e Melik Demirel descobriram que os anéis dos tentáculos, usados para agarrar as presas das lulas, têm proteínas que podem ser alteradas geneticamente e produzidas em laboratório.

Sem sacrifício para os animais, a reprodução deste material forte e flexível é possível a partir de um processo químico relativamente simples com base em água, açúcar e oxigénio. A aplicação deste bioplástico prevê-se adequada a sectores tão diversos como o têxtil e a biomedicina.

Fonte: artigo publicado na Vice a 22/02/2019